sexta-feira, 24 de agosto de 2012


A rua estava deserta e se podiam ouvir claramente os sons dos grilos cantando, era lua cheia e ele sabia que não se sentia bem naquele lugar. Seus pensamentos se revezavam entre Kate e o dia seguinte, sentia-se ameaçado e incapaz de lutar, mas era necessário que ele aprendesse rápido a se controlar, para o bem dele e o de Kate. Resolveu ir ao riacho, o dia já estava quase nascendo e sabia que mais um dia perdido era intolerável. Eduardo tirou a camisa, as cicatrizes em suas costas o deixavam mais atraente, ele preparou-se para pular quando um ruído saiu atrás dele. Não correu, ele já sabia que isso poderia acontecer, e mesmo que quisesse se esconder era tarde.
Olhou fixamente para o lado por onde o ruído saiu, seus lábios se contraíram e em um acesso de fúria ele gritou.
- você não deveria estar aqui,volte.
Seu corpo tremeu quando viu que ela não voltaria, ficaram ali, parados a se encararem, ele quase achou que ela poderia ler sua mente. Ela deixou uma lágrima correr pelo seu rosto, e aproximando-se de Eduardo sentiu medo. Seus corpos ficaram tão próximos que eles já podiam ouvir o coração um do outro. Kate não poderia ser tão cruel quanto Eduardo, ela não conseguia esconder por muito tempo aquilo, não havia como. Mas Eduardo era tão cruel com os dois, que não queria tê-lo por perto, mas não conseguia afasta-lo.
-como me achou aqui?
-eu não sei, apenas senti.
-sabe que é perigoso para você estar aqui não é?!
-eu sei, mas não consegui dormi, e você me evita a todo o momento, já não é o mesmo de antes. Olhou para os próprios pés, e com a voz falhando prosseguiu. Eu sinto falta de você! São raras as vezes que você aparece e eu queria poder aproveitar isso, mas você some sempre que eu me aproximo, e eu só queria por um momento que você voltasse a ser o mesmo de antes, que me colocasse para dormir, que me desse carinho todas as vezes que as minhas lágrimas ameaçassem cair, eu só queria que você me abraçasse sempre que o medo vier me atormentar e tudo agora me dar medo, mas você nunca esta por perto para dizer que vai ficar tudo bem, você nem ao menos me pergunta como foi o meu dia. Eu só queria que você voltasse a ser meu irmão mais velho.
-sabe que não poderíamos estar aqui, não depois do que aconteceu.
- então por que você veio?
- há certas coisas que não podemos explicar, e eu prometo resolver tudo, eu volto para te buscar, isso é uma promessa, apenas espere 15 anos.
-você é cruel de mais, me leva agora, eu não posso ficar aqui, é muito difícil sem você. Eu estou com medo.
-você vai ficar bem, logo uma família virá adotá-la, você deverá ir com eles e se comportar, e se alguma coisa estranha acontecer não demonstre medo, haja naturalmente, eu vou está com você o tempo todo, e isso aqui é para você usar sempre, prometa que não irá tirar isso por nada, prometa.
-eu... porquê você não me leva com você? Me leva..
-prometa.
-eu prometo.
-obrigado, Kate não esqueça,você prometeu,lembra-se do que o papai falava?
-uma flor sempre é uma flor, mesmo que alguém a despedace.
-não, não isso, lembre-se, tudo ocorre assim se você deixar!Se cuida, eu não vou te abandonar.
Seus braços envolveram o corpo de Eduardo e ela não pôde conter as lágrimas, sentia-se só e seu único parente conhecido estava pedindo para ela esperar 15 anos para sair dali. Era pedir demais, mas ele a fez prometer. Segurando o relicário entre as mãos ela sentiu uma parte de si indo embora com Eduardo e tudo o que podia fazer era dizer até logo. O sol já estava aparecendo quando ela voltou para cabana e olhando pela janela ela pôde ver seu irmão deixando-a para trás. Não entendia como, mas acreditava em Eduardo e iria esperar ele voltar para busca-la. A pesar dele ser apenas cinco anos mais velho que Kate ela sabia que eles eram iguais.
Kate estava agora desejando esquecer esse sonho, acreditava que aquilo era algo maior, uma lembrança passada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário